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Adeus FAC São Roque

UNI São Roque encerra atividades apos 30 anos e gera debate entre instituição, prefeitura e alunos

Fechamento da tradicional instituição de ensino superior mobiliza estudantes, provoca troca de versões entre direção e Prefeitura e levanta preocupações sobre o futuro acadêmico dos alunos.

UNI São Roque encerra atividades apos 30 anos e gera debate entre instituição, prefeitura e alunos

Redação

Jornalista

O anúncio do encerramento das atividades da UniSão Roque (antiga FAC São Roque) marcou o fim de uma trajetória de aproximadamente três décadas de atuação no ensino superior do município. A decisão, comunicada pela direção da instituição na noite de quinta-feira (18), gerou forte repercussão entre alunos, professores, ex-alunos e autoridades locais.

A instituição, que ao longo dos anos formou milhares de profissionais em cursos como Direito, Psicologia, Enfermagem, Pedagogia, Administração e Ciências Contábeis, informou que suas operações na cidade se tornaram financeiramente inviáveis.

Segundo o diretor da unidade, Ricardo Rios, o principal fator para o encerramento teria sido a falta de acordo nas negociações envolvendo a utilização do imóvel público onde a faculdade funcionava. Em declaração divulgada à imprensa, a direção afirmou que não foi possível chegar a um entendimento com a Prefeitura sobre os custos de ocupação do prédio, levando a mantenedora a optar pelo encerramento das atividades.

A reitoria informou ainda que os estudantes terão a possibilidade de continuidade dos estudos por meio de transferência para a unidade Memorial da UNINOVE, na capital paulista, com concessão de bolsa integral até a conclusão dos cursos.

Prefeitura apresenta versão diferente

Poucas horas após a divulgação da notícia, a Prefeitura de São Roque publicou uma nota oficial apresentando sua versão dos fatos e contestando parte das informações que passaram a circular.

Segundo a Administração Municipal, o contrato que permitia a utilização do imóvel público pela instituição foi firmado em 2010 e possuía vigência de 15 anos, encerrando-se regularmente em janeiro de 2025.

A Prefeitura afirma que, após o término do prazo contratual, realizou avaliação técnica do imóvel para definir valores compatíveis com o mercado e iniciou tratativas com representantes da instituição para discutir uma possível renovação do vínculo.

De acordo com a nota, foram realizadas reuniões presenciais e por videoconferência com dirigentes da faculdade, incluindo representantes da mantenedora e da reitoria. A administração municipal sustenta que solicitou formalmente uma contraproposta técnica caso houvesse discordância em relação aos valores apresentados, mas que não recebeu documentação ou estudo que contestasse a avaliação realizada.

Outro ponto destacado pelo governo municipal é que, mesmo diante da ausência de pagamentos relacionados à utilização do imóvel por aproximadamente um ano e meio, não foram adotadas medidas judiciais de despejo, reintegração de posse ou cobrança dos valores devidos, justamente para evitar prejuízos aos estudantes e permitir a continuidade das atividades acadêmicas.

A Prefeitura também negou categoricamente rumores sobre uma eventual venda ou leilão do prédio, esclarecendo que qualquer alienação de patrimônio público dependeria de autorização legislativa específica e de um processo legal que sequer foi iniciado.

Alunos buscam respostas

Enquanto as versões apresentadas pela instituição e pelo poder público divergem quanto às responsabilidades que levaram ao encerramento das atividades, quem vive a maior insegurança neste momento são os estudantes.

Nas últimas semanas, grupos de mobilização foram criados por alunos para buscar informações sobre o futuro dos cursos, a validade dos estudos realizados, a transferência acadêmica e eventuais impactos financeiros decorrentes da mudança.

Além da preocupação com a continuidade da formação, muitos estudantes relatam dificuldades relacionadas ao deslocamento para a capital, adaptação à nova instituição e reorganização da rotina familiar e profissional.

Diante desse cenário, a Prefeitura informou que o PROCON Municipal está à disposição para orientar os alunos sobre seus direitos como consumidores e anunciou a criação de um cadastro destinado aos estudantes que se considerem prejudicados pela situação. O objetivo é mapear a quantidade de alunos afetados e oferecer acompanhamento institucional conforme cada caso.

Um legado para a cidade

Independentemente das discussões sobre as causas que culminaram no encerramento das atividades, o fechamento da UniSão Roque representa a perda de uma instituição que marcou a história educacional do município.

Durante cerca de 30 anos, a faculdade desempenhou papel importante na formação profissional de moradores da região e desenvolveu projetos de extensão, atendimentos comunitários, ações de assistência jurídica e iniciativas voltadas à saúde e à educação.

Agora, o desafio passa a ser garantir que os estudantes tenham seus direitos preservados e consigam concluir sua formação sem prejuízos acadêmicos.

O episódio também evidencia a importância da transparência nas relações entre instituições privadas e poder público, especialmente quando serviços de interesse coletivo estão envolvidos. Nos próximos dias, espera-se que novas informações sejam apresentadas para esclarecer definitivamente as circunstâncias que levaram ao encerramento de uma das mais tradicionais instituições de ensino superior de São Roque.

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